Nossa história

O SINTUFSCar nasceu no final da década de 70, com o objetivo de representar e dar voz aos anseios das trabalhadoras e dos trabalhadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). No início, era uma associação conjunta para servidores docentes e técnicos-administrativos, com sua direção indicada pela reitoria que, na época, era composta por apoiadores do Regime Militar.

A associação, que era denominada ASUFSCar, tinha atuação meramente assistencialista, não possuindo um perfil de ação sindical. A classe de servidores, não contente com esse funcionamento, uniu-se com alguns servidores militantes de partidos oposicionistas ao Regime Militar e iniciou uma batalha interna, com vários movimentos, se opondo à reitoria e, até mesmo, à própria diretoria da associação.

Na 18º reunião da diretoria da ASUFSCar, no dia 13 de outubro de 1978, os diretores renunciaram coletivamente e abandonaram o mandato que lhes foi dado. A partir daí, a escolha dos novos representantes dos trabalhadores passou a ser feita em assembleia da categoria. Esse foi o primeiro passo para que a Associação tomasse suas decisões e lutasse pelos direitos dos servidores, com destaque para as greves por melhores salários e lutas pelo direito a creche, auxílio alimentação e melhores condições de trabalho.

A Associação deixou de existir com esse formato no início dos anos 90, quando se transformou em sindicato com a denominação SINTUFSCar, precisamente em 1992.

A primeira gestão democrática do sindicato conseguiu que o salário-base dos servidores de apoio tivesse um aumento real, que resultou em quase 100% de reajuste.

O SINTUFSCar (e a ASUFSCar) protagonizaram grandes lutas durante sua existência. Marcadamente, no início dos anos 80, contra o Regime Militar, de onde surgiram destacados nomes que participaram do movimento político no país. Aqui em São Carlos, nomes como de Zé Andrade, Fidelcino, José Luis Sunderman, Evelton, Celso Soares, Zé Roberto Leite, Lauro Cotrim, Carlinhos, Tânia, Getúlio, Soeli Gallo, Fátima Crempe, Bambú, Batatinha, Ray, Moiseszão, Zé Ferreira, Ronaldinho, Salvador, Lourdes Moraes, Xico Martins, Zé Bogas e tantos outros, foram figuras destacadas e fundamentais para a construção da história do Sindicato.

Também em São Carlos, nessa época, o sindicato teve papel preponderante no movimento “Pula Roletas”, que surgiu a partir da contestação do reajuste abusivo das passagens de ônibus na cidade.

A década de 80 foi marcada pelo advento de muitas lutas, como a mobilização da comunidade universitária na eleição de reitor (lista sêxtupla) e o consequente ato público para garantir a posse do novo reitor, além de discussões sobre a estrutura universitária denominada Estatuinte da UFSCar.

No segundo semestre de 83, ainda na era militar, e amparada pela Lei 6733, houve intervenção na UFSCar, com a reitoria sendo exercida pelo interventor Antonio Guimarães Ferri. Essa nomeação gerou um sentimento de insatisfação generalizado e a ASUFSCar não reconheceu o interventor como reitor. Na ocasião, os servidores decidiram pela realização de uma assembleia permanente e criaram o slogan “FORA FERRI!!!”, bem como apoiaram os estudantes na ocupação da reitoria. Houve ameaças por parte da reitoria e o Sr. José Fernando Porto, então Secretário Geral da UFSCar, pediu apoio ao Batalhão de Choque de Araraquara para desmobilizar a ocupação.

No plano nacional, o SINTUFSCar participou diretamente ou contribuiu com a construção de movimentos como o Diretas Já!; a campanha nacional em defesa dos sindicatos que eram perseguidos pela Ditadura Militar e as campanhas pela liberdade de Lula e Zé Maria (PSTU), presos pela Lei de Segurança Nacional; a campanha pelo congelamento de preços dos gêneros de primeira necessidades; as campanhas pela estabilidade no emprego e pela redução da jornada de trabalho, sem redução de salário; também do lançamento da campanha “Fora FMI”.

Nesse período, realizou-se o primeiro Congresso da FASUBRA, em Natal – RN. A partir desse Congresso, a FASUBRA passou a ser representada por uma direção com diversidade regional e política do conjunto da categoria, passando a ter uma atuação classista.

No início de 87, os servidores públicos conquistaram o RJU (Regime Jurídico Único), que garantiu direitos como estabilidade no emprego, plano de carreira, cargos e salários e, por pressão do movimento sindical, o Congresso Nacional aprovou, em 10 de abril de 1987, o plano Único de Classificação e redistribuição de Cargos e Empregos – o PUCRCE.

O ano de 1987 ficou marcado pela eclosão da primeira Greve Geral no país, que se repetiria em 1989, ambas contra a carestia do custo de vida decorrente do Plano Econômico do governo Sarney.

Em 1988, foi aprovada a Constituição Federal (CF), que garantiu aos servidores públicos o reconhecimento do direito à sindicalização.

Em 11 de dezembro de 1989 foi aprovada a Lei n.º 8.112, que dispõe sobre o RJU dos servidores públicos civis da união. Com isso, extinguiu-se a CLT do contrato de trabalho do funcionalismo público, o que marcou uma conquista de lutas de vários anos.

Transformar a Universidade Pública em um ente privado já era uma meta desde o governo Collor que, em 1991, através da PEC-56B, pretendia transformar as universidades em Organizações Sociais – algo como o que acabamos de ver com o Projeto FUTURE-SE, de Weintraub/Bolsonaro. Uma forte greve nacional impôs uma derrota à proposta de Emenda Constitucional.

O início da década de 90 ficou marcado com uma das maiores vitórias de quase todos os tempos: o impeachment de Fernando Collor. O SINTUFSCar esteve presente no movimento e foi fundamental no apoio às manifestações realizadas pela população são-carlense e brasileira.

Mas os anos 90 também nos reservaram uma imensa tristeza, com o assassinato, em 12 junho de 1994, do presidente da entidade, José Luis Sundermann, e sua esposa, Rosa Hernandez Sundermann. Esse crime não foi desvendado até hoje.

No início dos anos 2000, uma greve contra o governo de Fernando Henrique Cardoso, que pretendia retirar a GAE (Gratificação por Atividades Executivas, que representava 160% sobre o salário básico), foi amplamente vitoriosa pois, além de não conseguir retirá-la dos salários, ainda teve que incorporá-la aos vencimentos. Foi a maior greve já feita, em termos de adesão nacional.

Logo após essa greve, em 2003, Lula propôs e aprovou uma Reforma da Previdência que atacaria todo o conjunto do funcionalismo público. Foram realizados vários protestos locais e nacionais da categoria. Apesar da derrota frente àquela Reforma Previdenciária, uma outra vitória marcaria os servidores das universidades que, após intensa mobilização, conquistaram o Plano de Carreira dos Cargos técnico- administrativos das IFES (O PCCTAE), instituído pela Lei 11.091/2005.

Em 2010, o SINTUFSCar sofrou outra sentida perda. Faleceu Carlinhos, que enfrentou uma grave doença e um difícil tratamento de saúde.

Em 2015, faleceu Maria Antonia Bertoni, coordenadora de Aposentados do SINTUFSCar, que compôs a direção junto com Jovino de Araújo Filho, quem estava à frente da entidade naquele período.

Essa breve apresentação pretende contar um pouco da história do SINTUFSCar e homenagear algumas das pessoas que fizeram parte dele. Não se teve a pretensão de excluir nomes ou fatos, mas apenas de deixar aqui o compromisso de revisão bibliográfica e inclusive fotográfica como forma de manter viva a história e a memória de lutas e de reconhecimento que essa entidade construiu nesses poucos anos de existência.